Pecuarista pode fazer autoavaliação pela internet e conhecer nível de sustentabilidade de sua fazenda

06/09/2018
Pecuarista pode fazer autoavaliação pela internet e conhecer nível de sustentabilidade de sua fazenda

Nesta quinta, 06, o Giro do Boi recebeu em estúdio a zootecnista e engenheira agrônoma Beatriz Domeniconi, coordenadora executiva do GTPS, o Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável. O assunto da entrevista foi o desenvolvimento do GIPS, o Guia de Indicadores fruto de um trabalho de dois anos dentro do grupo, que reúne representantes de todos os elos da cadeia de valor, com o objetivo de definir o que é pecuária sustentável.

Um dos principais desafios do projeto, segundo, Domeniconi, é alinhar os critérios para delimitar o conceito de sustentabilidade na pecuária de corte, muitas vezes confundido com a mera preservação ambiental. “A conservação ambiental é um parte do processo apenas. O negócio tem que dar dinheiro, tem que respeitar a vida das pessoas, das comunidades, dos trabalhadores, os animais, tem que ter bem-estar. São muitos os fatores que definem o conceito de sustentabilidade e o guia foi criado com este principal objetivo e com o objetivo de orientar o usuário a evoluir nestes conceitos”, explicou.

Todos os pecuaristas interessados podem acessar o guia e inclusive integrá-lo. Cada produtor que acessar a ferramentar em gips.org.br pode preencher, de modo confidencial, uma série de 44 perguntas que vão posicioná-lo com diferentes notas para cada um dos 5 conceitos analisados no GIPS:

– Gestão;
– Trabalhadores;
– Comunidades;
– Meio ambiente; e
– Cadeia de valor.

Além das mais de 40 questões voltadas para o produtor, outras 26 avaliam o desempenho de integrantes de outros elos da pecuária de corte, como abatedouros, instituições financeiras, ONGs e demais companhias envolvidas no setor. “O GIPS não foi feito exclusivamente para o produtor. Ao todo são 70 indicadores e eles se aplicam a todos os todos os elos da cadeia. Ao produtor rural são apenas 44, mas tem para as indústrias frigoríficas, ONGs, bancos, para todas as empresas, instituições envolvidas com o setor para que todos entendam como estão e como podem melhorar no conceito de contribuir com o desenvolvimento sustentável da atividade”, resumiu Beatriz.

Em entrevista recente ao Giro do Boi, o diretor de fornecimento estratégico da McDonald’s Corporation, Daniel Boer, confirmou que a rede de fast food, uma das maiores do mundo, vai utilizar o GIPS como régua para a aquisição de matéria-prima. “O nosso próximo passo é avançar com o bem-estar animal para o campo. E vai chegar mais próximo ao produtor. O Brasil foi pioneiro em desenvolver uma mesa redonda de pecuária sustentável, o GTPS, que reúne vários elos da cadeia, como produtores, bancos, supermercados e sociedade civil tentando encontrar o que é pecuária sustentável. E nós chegamos com os indicadores em um guia prático de pecuária sustentável. […] E nós vamos usar esta ferramenta, este GIPS, que é o Guia de Indicadores da Pecuária Sustentável, para atingir os padrões de sustentabilidade, e o bem-estar animal é um dos pilares desta estrutura de sustentabilidade”, declarou na ocasião (veja entrevista completa no link abaixo).

+ McDonald’s vai usar guia de indicadores para atestar sustentabilidade de fornecedores

Além de o próprio pecuarista poder evoluir conforme o diagnóstico de como a sua fazenda está posicionada em relação a sustentabilidade, o guia poderá ter um impacto direto na captura de valor pelos produtos da pecuária de corte pelo alinhamento de discursos. “Com relação aos demais elos da cadeia, acho que uma aplicação do GIPS é alinhar o discurso, a linguagem. O que a gente sabe que é sustentabilidade, e se traduz na prática para o produtor, nem sempre é fácil de se vender em uma gôndola de supermercado. A gente sabe que o produtor está evoluindo, aumentando, por exemplo, a taxa de prenhez, a taxa de desfrute dele ou capacidade de suporte das pastagens. Como eu vendo isso para o consumidor? Como eu coloco isso no rótulo de uma carne e digo que esta carne é melhor do que outra porque tem uma taxa de prenhez maior do que em outra propriedade? O supermercado não vende esse conceito”, indagou Domeniconi.

Veja a entrevista completa com Beatriz Domeniconi clicando no vídeo:

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