Programação fetal e nascimento de bezerros do cedo aumentam rentabilidade do criador

13/07/2018
Programação fetal e nascimento de bezerros do cedo aumentam rentabilidade do criador

O Giro do Boi exibiu nesta sexta, dia 13, mais um conteúdo de uma série gravada em imersão de sua equipe de reportagem à Apta, Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, de Colina-SP, órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo.

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Desta vez, o repórter Marco Ribeiro conversou com o pesquisador da instituição Flávio Dutra de Resende, mestre e doutor em zootecnia, para tratar dos pontos de atenção da cria que possibilitam a criação de um boi com potencial para desenvolver uma carcaça desejável.

É possível cuidar disto enquanto este bezerro está no ventre da vaca, com um bom manejo nutricional para que o feto se forme da melhor maneira possível. É a programação fetal. Resende lembrou que pesquisas descobriram que no terço médio da gestação, entre o terceiro e o sétimo mês, são formadas as fibras musculares nos fetos. Depois de seu nascimento, o que ocorre é apenas hipertrofia, o que não influencia na quantidade de fibras. E a forma de assegurar que o feto forme todas estas fibras musculares, ou seja, desenvolva seu potencial genético, é via nutrição – e nesse caso específico, no terço médio da gestação.

Flávio destacou ainda que partindo já para o terço final da gestação e para a nutrição pós-nascimento, é a fase em que serão formados os adipócitos, as células de gordura que vão influenciar na qualidade da carne produzida pelo boi lá na frente, pois são as células de gordura entremeada no músculo. “Os cuidados iniciais na barriga da vaca e pós-nascimento vão determinar todo o sucesso ou insucesso que esse animal vai ter ao longo da sua vida”, resumiu o doutor em zootecnia. Se necessário, isso pode incluir, segundo Resende, um creep feeding ou um piquete dedicado com ponta de capim para a bezerrada.

Além disto, é essencial a realização de uma estação de monta que concentre os nascimentos de bezerros do cedo, que desmamam mais rápido, ficam menos tempo na fazenda e dão mais rentabilidade para o pecuarista. “Aquele bezerro que nasce no tarde às vezes ele tem que dobrar mais um ano na fazenda e muitas vezes você não consegue chegar com esse bezerro no peso de abate. Então isso já está, na prática, consolidado”, reforçou.

O bezerro do cedo, explicou Flávio, é aquele cujo terço médio de sua gestação vai ocorrer em pleno outono, entre os meses de março e abril, quando os pastos ainda estão em fase de transição e há disponibilidade de forrageiras, pois ainda há chuvas em parte das regiões de pecuária no Brasil. Então a condição nutricional da fêmea nesta parte da gestação é adequada para garantir o número máximo de fibras musculares no bezerro.

“Se o bezerro do cedo é bom, então procure produzir mais bezerros do cedo”, simplificou o pesquisador da Apta. Para tanto, é preciso também cuidar da condição nutricional das vacas antes da estação de monta para que eles emprenhem logo no início do período. Neste ponto, as primíparas, que têm mais dificuldade para emprenhar, merecem atenção especial.

“Nós queremos mais de 80%, 85% de vacas que fiquem prenhes, mas não é só a prenhez que eu quero. Quero que elas fiquem prenhes mais cedo, no início da estação de monta. Isso acontece se eu cuidar da condição corporal antes de entrar na monta”, simplificou.

Veja a entrevista completa de Flávio Dutra de Resende pelo vídeo abaixo:

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