Melhoramento genético do gado de corte chega ao bife na mesa dos brasileiros

18 dezembro 2019
16-06 - picanha

Um trabalho de décadas voltado para melhoramento genético e seleção da principal raça que compõe o rebanho brasileiro de gado de corte está colhendo resultados cada vez mais evidentes. Na última segunda, 16, a cidade de São Paulo, capital de SP, sediou evento em uma noite histórica tanto para o Nelore quanto para a pecuária nacional. A Nelore Fest 2019 marcou a entrega da premiação da ACNB – Associação de Criadores de Nelore do Brasil – para os vencedores dos rankings estaduais e nacionais de criadores e expositores e também dos pecuaristas que participaram do Circuito Nelore de Qualidade, o maior campeonato de julgamento de carcaças do mundo.

Já são 20 anos desde que o circuito foi realizado pela primeira vez, em 1999. Na edição de 2019 foram realizadas 26 etapas, 15 a mais do que em 2018, em 11 estados. As avaliações foram feitas nas carcaças de 21.880 animais, entre 17.901 machos e 3.979 fêmeas, um crescimento expressivo na comparação com 2018, quando o circuito avaliou 8.852 animais. O número de pecuaristas participantes também foi significativo, saltando de 67 em 2018 para 228 neste ano.

Mais do que a quantidade, a qualidade dos animais avaliados também impressionou. “20 anos atrás a recomendação de abate do gado Nelore era de 460 a 470 quilos de peso vivo e idade de abate girava em torno de três anos e meio. E hoje nós estamos assistindo, normal no dia a dia da indústria, animas sendo abatidos com 560 a 570 quilos. São cem quilos a mais com um ano e meio a menos. Esse é o melhoramento genético que chegou no bife, que chegou no gado de corte. O melhoramento genético que saiu dos rebanhos de seleção permeando até o gado de corte. Muito bom, parabéns a todos os neloristas do Brasil”, reconheceu o diretor executivo de originação da Friboi, Eduardo Pedroso, durante a Nelore Fest 2019.

O executivo, que em 1999 integrava a equipe técnica da ACNB quando houve a realização do primeiro circuito, explicou como estes números são convertidos na qualidade de carne buscada por um consumidor cada vez mais exigente. “O consumidor busca uma carne que tenha os seus atributos de maciez, suculência e sabor. Nisso o Nelore vem progredindo muito. A gente vem notando tanto no padrão das carcaças quanto a consistência da qualidade da carne. Não podemos deixar também de mencionar que todos os programas de marcas de carne, inclusive dos cruzamentos, metade é Nelore. Então é a carne que vem conquistando paladares mais exigentes desde restaurantes sofisticados e chegando também às gôndolas de supermercados”, completou Pedroso.

“A gente tem que lembrar que quando fala do circuito a gente está falando de Nelore, mas está falando da pecuária brasileira. Com todo respeito a todas as outras raças, que são muito importantes para o Brasil e para a nossa pecuária, mas enquanto a gente não mostrar, não comprovar que a raça Nelore tem condições de produzir uma carne de alta qualidade, a pecuária brasileira não vai subir de real valor, é importante pensar nisso”, confirmou o diretor de fomento da ACNB, André Bartocci.

Entre os vencedores do circuito presentes estava Adílton Boff Cardoso, da Fazenda Segredo, de Bataguassu-MS, campeão pela quarta vez da competição, neste ano na categoria carcaças de machos. “Da primeira vez para hoje você vê uma diferença muito grande nos animais dentro da propriedade. A gente também trabalha com venda de genética, tanto venda de touros, quanto de novilhas, novilhas prenhes, e a qualidade é excepcional hoje comparando com seis ou sete anos atrás, quando nós pegamos a primeira vez esse prêmio”, exaltou Cardoso.

O médico veterinário José Eduardo Pereira Lima, gerente da Fazenda Segredo, também ressaltou a importância do foco no melhoramento para a evolução constante do Nelore. “O trabalho de melhoramento genético tem que ser um pouco melhor divulgado, um pouco mais utilizado como ferramenta porque é a ferramenta mais barata para o pecuarista mudar o patamar da sua produtividade. Com isso ele consegue trazer produtividade e lucratividade com esse boi, esse Nelore de ciclo curto. […] Difícil falar qual a fronteira do Nelore porque como nós estamos vendo, eu acredito que o limite está longe ainda de ser conhecido”, avaliou o veterinário da fazenda sul-mato-grossense.

O estado do MS teve papel de destaque no circuito em 2019, com fazendas campeãs tanto na categoria carcaças de machos quanto na carcaças de fêmeas, posto alcançado pela Fazenda Santa Bárbara e Ranco Seco, da pecuarista Sandra Maria Massi, no município de Ivinhema. Dos total, 5 dos 6 primeiros colocados nas duas categorias são do MS. Entre as razões, está o programa de incentivo à produção de bovinos precoces do estado, o Precoce MS. A iniciativa foi lançada em 1992 e desde que passou por reformulação em 2017, já retornou R$ 50 milhões em incentivos fiscais aos produtores de gado precoce.

“Quem produz com qualidade e com sustentabilidade tem seu retorno financeiro no momento do abate, com nota fiscal com transparência total”, garantiu Rogério Beretta, superintendente da Semagro, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar de Mato Grosso do Sul.

Além dos produtores, o estado como um todo é beneficiado pelo programa. “O benefício do estado é direto quando fixa aquelas metas que ele quer que o produtor trabalhe, com sustentabilidade. Mato Grosso do Sul hoje é um estado que tem o Pantanal com 80% de preservação, que tem áreas de Planalto com 35% de remanescente de vegetação, então o estado está totalmente equilibrado em termos produtivos e ambientais. A gente tem excelentes números de produção por parte dos produtores, mais o meio ambiente e a questão social muito bem trabalhadas e muito bem resguardadas pelos produtores e pelo governo”, valorizou Beretta.

“Os parabéns têm que ser para toda a população brasileira porque o Nelore democraticamente é um patrimônio nacional, pertence ao povo brasileiro. Para o Nelore, o céu é o limite. […] O Nelore sozinho ou através de cruzamentos industriais com as demais raças taurinas e zebuínas pode atingir qualquer ponto da eficiência, produtividade, rentabilidade, geração de emprego, divisas e uma produção de uma carne com sabor inigualável”, concluiu o presidente da ACNB, Nabih Amin El Aouar.

Veja as entrevistas completas pelo vídeo abaixo:

 

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Já são 20 anos desde que o circuito foi realizado pela primeira vez, em 1999. Na edição de 2019 foram realizadas 26 etapas, 15 a mais do que em 2018, em 11 estados. As avaliações foram feitas nas carcaças de 21.880 animais, entre 17.901 machos e 3.979 fêmeas, um crescimento expressivo na comparação com 2018, quando o circuito avaliou 8.852 animais. O número de pecuaristas participantes também foi significativo, saltando de 67 em 2018 para 228 neste ano.

Mais do que a quantidade, a qualidade dos animais avaliados também impressionou. “20 anos atrás a recomendação de abate do gado Nelore era de 460 a 470 quilos de peso vivo e idade de abate girava em torno de três anos e meio. E hoje nós estamos assistindo, normal no dia a dia da indústria, animas sendo abatidos com 560 a 570 quilos. São cem quilos a mais com um ano e meio a menos. Esse é o melhoramento genético que chegou no bife, que chegou no gado de corte. O melhoramento genético que saiu dos rebanhos de seleção permeando até o gado de corte. Muito bom, parabéns a todos os neloristas do Brasil”, reconheceu o diretor executivo de originação da Friboi, Eduardo Pedroso, durante a Nelore Fest 2019.

O executivo, que em 1999 integrava a equipe técnica da ACNB quando houve a realização do primeiro circuito, explicou como estes números são convertidos na qualidade de carne buscada por um consumidor cada vez mais exigente. “O consumidor busca uma carne que tenha os seus atributos de maciez, suculência e sabor. Nisso o Nelore vem progredindo muito. A gente vem notando tanto no padrão das carcaças quanto a consistência da qualidade da carne. Não podemos deixar também de mencionar que todos os programas de marcas de carne, inclusive dos cruzamentos, metade é Nelore. Então é a carne que vem conquistando paladares mais exigentes desde restaurantes sofisticados e chegando também às gôndolas de supermercados”, completou Pedroso.

“A gente tem que lembrar que quando fala do circuito a gente está falando de Nelore, mas está falando da pecuária brasileira. Com todo respeito a todas as outras raças, que são muito importantes para o Brasil e para a nossa pecuária, mas enquanto a gente não mostrar, não comprovar que a raça Nelore tem condições de produzir uma carne de alta qualidade, a pecuária brasileira não vai subir de real valor, é importante pensar nisso”, confirmou o diretor de fomento da ACNB, André Bartocci.

Entre os vencedores do circuito presentes estava Adílton Boff Cardoso, da Fazenda Segredo, de Bataguassu-MS, campeão pela quarta vez da competição, neste ano na categoria carcaças de machos. “Da primeira vez para hoje você vê uma diferença muito grande nos animais dentro da propriedade. A gente também trabalha com venda de genética, tanto venda de touros, quanto de novilhas, novilhas prenhes, e a qualidade é excepcional hoje comparando com seis ou sete anos atrás, quando nós pegamos a primeira vez esse prêmio”, exaltou Cardoso.

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“Quem produz com qualidade e com sustentabilidade tem seu retorno financeiro no momento do abate, com nota fiscal com transparência total”, garantiu Rogério Beretta, superintendente da Semagro, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar de Mato Grosso do Sul.

Além dos produtores, o estado como um todo é beneficiado pelo programa. “O benefício do estado é direto quando fixa aquelas metas que ele quer que o produtor trabalhe, com sustentabilidade. Mato Grosso do Sul hoje é um estado que tem o Pantanal com 80% de preservação, que tem áreas de Planalto com 35% de remanescente de vegetação, então o estado está totalmente equilibrado em termos produtivos e ambientais. A gente tem excelentes números de produção por parte dos produtores, mais o meio ambiente e a questão social muito bem trabalhadas e muito bem resguardadas pelos produtores e pelo governo”, valorizou Beretta.

“Os parabéns têm que ser para toda a população brasileira porque o Nelore democraticamente é um patrimônio nacional, pertence ao povo brasileiro. Para o Nelore, o céu é o limite. […] O Nelore sozinho ou através de cruzamentos industriais com as demais raças taurinas e zebuínas pode atingir qualquer ponto da eficiência, produtividade, rentabilidade, geração de emprego, divisas e uma produção de uma carne com sabor inigualável”, concluiu o presidente da ACNB, Nabih Amin El Aouar.

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