Qual o “pulo do gato” para recuperar a produtividade em solos fracos?

21 janeiro 2020
recuperacao-solos-degradados-integracao-plantio-direto-sao-matheus

Ele representa a quinta geração de uma tradicional família de produtores rurais. Mateus Arantes é engenheiro agrônomo esalqueano e movido a desafios. Um dos seus primeiros obstáculos a serem superados foi a recuperação da produtividade em terras hostis para a produção agropecuária, como a Fazenda São Matheus, em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul.

“A paixão fala mais forte. Desde novinho fui criado na fazenda, e aí fiz Esalq, trabalhei um pouco no mercado financeiro em São Paulo. Depois fui trabalhar na Monsanto em recuperação de pastagem com plantio direto, um projeto que eles tinham na antiga Monsanto, hoje Bayer, e depois fui trabalhar na fazenda, fui tentar desenvolver o que gostaria que fosse o sistema de recuperação de solos degradados”, contou Arantes. “Eu e meu pai sempre conversamos muito sobre solos e eu desde novinho tinha essa curiosidade. O que a gente pode fazer para recuperar as áreas degradadas?”, lembrou.

Pecuarista compartilha os segredos da produtividade em terras arenosas

Incentivado pelo produtor holandês pioneiro no plantio de soja direto da palha, Ake Van Der Vinne, que em 1989 já observava a produtividade deste sistema na região de Maracaju-MS, Arantes começou sua jornada em Três Lagoas-MS. “A gente apanhou bastante no início, a gente começou o plantio de soja em 2000 na (Fazenda) São Matheus e entre acertos, erros, algumas experiências bem sucedidas, outras malsucedidas, eu sempre fui muito inquieto com pesquisa”, recordou.

Arantes explicou qual a base do Sistema São Matheus, uma espécie de “pulo do gato“. “Em vez de eu corrigir a terra e já plantar a soja, eu planto o pasto um ano antecipado com a mesma correção da soja, então eu faço um pasto bem feito, eu faço um preparo como se eu fosse plantar a soja […] e aí você deixa o plantio da soja para o ano seguinte. Com isso você consegue estruturar bem o solo, consegue ter uma camada protetora deste solo e a soja se desenvolve bem”, explicou.

Em 2007, a propriedade selou parceria com a Embrapa para validar a eficácia do sistema, com a área experimental sendo instalada no solos com 10% de argila, um grande obstáculo para a produtividade da soja. No entanto, com a recuperação da área, sendo protegida pela cobertura de solo promovida pela palhada do capim, a propriedade colheu 85 sacos do grão na última safra. Na pecuária, embora o sistema esteja baseado na criação a pasto com mineralização simples, a produtividade também se destaca, variando entre 10 a até 40 arrobas por hectare ao ano conforme o tipo de terminação escolhido, levando animais ao cocho ou a TIP – terminação intensiva a pasto, conforme revelou Arantes.

O agrônomo e também consultor lembrou de uma frase que escutou de um dos pesquisadores da Embrapa responsáveis pelos estudos do Sistema São Matheus, o mestre e doutor em agronomia Armindo Kischel, falecido em 2019. “O finado Armindo Kischel falou em um dia de campo para a gente […]: ‘Mateus, se a gente produzir com pelo menos metade da tecnologia que está aqui, precisa de outro planeta para comer o que a gente vai produzir nas áreas degradadas’”, citou.

Arantes ponderou que um dos fatores que limitam a expansão das áreas que utilizam sistemas como o São Matheus é o receio do produtor, sobretudo do pecuarista, em tomar o risco envolvido na operação. “(Existe) um pouco de receio de tomar risco. Não é um negócio simples. A pecuária sempre foi muito segura, tanto que você vê que hoje até agricultores estão inserindo a integração de uma maneira muito mais rápida do que o próprio pecuarista está inserindo a agricultura”, mencionou.

+ Qual é o “pulo do gato” para lucrar com pecuária de corte?

O próximo desafio assumido por Mateus Arantes é o de reproduzir o sistema com o qual obteve sucesso em uma propriedade na região de Camapuã-MS, também conhecida pelos solos arenosos (veja fotos clicando no player abaixo).

Arantes reforçou ainda qual o comportamento o produtor deve adotar para o sucesso da inovação. “Atitude e persistência, porque tecnologia […] está toda acessível”, estimulou.

Dúvidas sobre o sistema produtivo e sua implantação podem ser enviadas para o Whatsapp do produtor, agrônomo e consultor Mateus Arantes – (67) 9 8136 6876.

Veja a entrevista completa:

 

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21 janeiro 2020
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“A paixão fala mais forte. Desde novinho fui criado na fazenda, e aí fiz Esalq, trabalhei um pouco no mercado financeiro em São Paulo. Depois fui trabalhar na Monsanto em recuperação de pastagem com plantio direto, um projeto que eles tinham na antiga Monsanto, hoje Bayer, e depois fui trabalhar na fazenda, fui tentar desenvolver o que gostaria que fosse o sistema de recuperação de solos degradados”, contou Arantes. “Eu e meu pai sempre conversamos muito sobre solos e eu desde novinho tinha essa curiosidade. O que a gente pode fazer para recuperar as áreas degradadas?”, lembrou.

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Incentivado pelo produtor holandês pioneiro no plantio de soja direto da palha, Ake Van Der Vinne, que em 1989 já observava a produtividade deste sistema na região de Maracaju-MS, Arantes começou sua jornada em Três Lagoas-MS. “A gente apanhou bastante no início, a gente começou o plantio de soja em 2000 na (Fazenda) São Matheus e entre acertos, erros, algumas experiências bem sucedidas, outras malsucedidas, eu sempre fui muito inquieto com pesquisa”, recordou.

Arantes explicou qual a base do Sistema São Matheus, uma espécie de “pulo do gato“. “Em vez de eu corrigir a terra e já plantar a soja, eu planto o pasto um ano antecipado com a mesma correção da soja, então eu faço um pasto bem feito, eu faço um preparo como se eu fosse plantar a soja […] e aí você deixa o plantio da soja para o ano seguinte. Com isso você consegue estruturar bem o solo, consegue ter uma camada protetora deste solo e a soja se desenvolve bem”, explicou.

Em 2007, a propriedade selou parceria com a Embrapa para validar a eficácia do sistema, com a área experimental sendo instalada no solos com 10% de argila, um grande obstáculo para a produtividade da soja. No entanto, com a recuperação da área, sendo protegida pela cobertura de solo promovida pela palhada do capim, a propriedade colheu 85 sacos do grão na última safra. Na pecuária, embora o sistema esteja baseado na criação a pasto com mineralização simples, a produtividade também se destaca, variando entre 10 a até 40 arrobas por hectare ao ano conforme o tipo de terminação escolhido, levando animais ao cocho ou a TIP – terminação intensiva a pasto, conforme revelou Arantes.

O agrônomo e também consultor lembrou de uma frase que escutou de um dos pesquisadores da Embrapa responsáveis pelos estudos do Sistema São Matheus, o mestre e doutor em agronomia Armindo Kischel, falecido em 2019. “O finado Armindo Kischel falou em um dia de campo para a gente […]: ‘Mateus, se a gente produzir com pelo menos metade da tecnologia que está aqui, precisa de outro planeta para comer o que a gente vai produzir nas áreas degradadas’”, citou.

Arantes ponderou que um dos fatores que limitam a expansão das áreas que utilizam sistemas como o São Matheus é o receio do produtor, sobretudo do pecuarista, em tomar o risco envolvido na operação. “(Existe) um pouco de receio de tomar risco. Não é um negócio simples. A pecuária sempre foi muito segura, tanto que você vê que hoje até agricultores estão inserindo a integração de uma maneira muito mais rápida do que o próprio pecuarista está inserindo a agricultura”, mencionou.

+ Qual é o “pulo do gato” para lucrar com pecuária de corte?

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Arantes reforçou ainda qual o comportamento o produtor deve adotar para o sucesso da inovação. “Atitude e persistência, porque tecnologia […] está toda acessível”, estimulou.

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