Uma “babá eletrônica” para o seu boi

14 outubro 2019
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No Giro do Boi desta segunda, 14, a pesquisadora da Embrapa Gado de Corte Fabiana Villa Alves, zootecnista e doutora em ciência animal e pastagens, falou a respeito de uma nova tecnologia que facilita a aferição do conforto térmico dos animais criados a pasto. Trata-se do protótipo BEP, sigla para Bovine Eletronic Plataform, ou Plataforma Eletrônica Bovina em tradução livre, um dispositivo eletrônico que busca maior comodidade na coleta destes dados para melhorar indicadores de bem-estar animal e, consequentemente, aumentar a produtividade de fazendas de gado de corte.

O equipamento tem como uma das vantagens ser menos invasivo do que as opções que já estavam disponíveis, como uma cápsula que deve ser engolida para se instalar no rúmen ou o chip subcutâneo. Com um procedimento mais simples, a tecnologia é instalada no animal como se fosse um cabresto. Fabiana afirmou que a pesquisa foi tão bem sucedida que evoluiu de forma a medir muito mais que a temperatura corporal. “Nós começamos pensando em medir a temperatura superficial da pele, só que o trabalho evoluiu tão bem que hoje nós conseguimos medir temperatura superficial, frequência cardíaca, frequência respiratória e correlacionar estas informações com informações do ambiente: temperatura, umidade, radiação solar e indicar se o animal estava ou não na sombra, o que para os sistemas de integração é muito importante”, disse a zootecnista.

Em sua concepção, a solução foi pensada para servir à pesquisa, mas deve ser mais versátil do que isto, tendo potencial para se tornar uma verdadeira “babá eletrônica”, auxiliando pecuaristas a medirem indicadores de bem-estar de animais em um determinado piquete ou servindo para que a sanidade de animais reprodutores de maior valor agregado seja monitorada. Hipoteticamente, é possível saber quando um animal for picado por uma cobra, o que eleva repentinamente sua temperatura corporal e uma decisão rápida pode salvar sua vida, exemplificou Fabiana.

A tecnologia poderá contribuir para elevar a produtividade de uma fazenda porque, sabendo que o animal está em quadro de estresse térmico, é possível ao pecuarista tomar decisões que alterem sua estrutura e revertam a situação, evitando perda de peso e até problemas mais complexos, como interferência na taxa de prenhez. “Apesar de o animal ter mecanismos e ele consegue manter a temperatura ou abaixar, estes mecanismos são limitados. Por isso a gente fala da importância das modificações no ambiente, como inserção de sombras, árvores, para o animal expressar todo o seu potencial genético”, justificou.

Os dados coletados são enviados automaticamente para uma planilha para que o produtor possa tomar decisões baseado nos números. A remessa das informações pode ser programada para ser feita com frequência maior ou menor, a cada dez minutos, a cada hora ou uma vez por dia, por exemplo, para o pecuarista acessar a plataforma eletrônica por um notebook, tablet ou celular.

O BEP pode ser utilizado também para gado de leite e equinos. Agora a Embrapa busca parceiros para produzir a tecnologia e disponibilizá-a ao mercado em um formato de cooperação público-privada.

Veja pelo vídeo abaixo a entrevista completa com a pesquisadora Fabiana Villa Alves:

Foto: Reprodução / Embrapa

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O equipamento tem como uma das vantagens ser menos invasivo do que as opções que já estavam disponíveis, como uma cápsula que deve ser engolida para se instalar no rúmen ou o chip subcutâneo. Com um procedimento mais simples, a tecnologia é instalada no animal como se fosse um cabresto. Fabiana afirmou que a pesquisa foi tão bem sucedida que evoluiu de forma a medir muito mais que a temperatura corporal. “Nós começamos pensando em medir a temperatura superficial da pele, só que o trabalho evoluiu tão bem que hoje nós conseguimos medir temperatura superficial, frequência cardíaca, frequência respiratória e correlacionar estas informações com informações do ambiente: temperatura, umidade, radiação solar e indicar se o animal estava ou não na sombra, o que para os sistemas de integração é muito importante”, disse a zootecnista.

Em sua concepção, a solução foi pensada para servir à pesquisa, mas deve ser mais versátil do que isto, tendo potencial para se tornar uma verdadeira “babá eletrônica”, auxiliando pecuaristas a medirem indicadores de bem-estar de animais em um determinado piquete ou servindo para que a sanidade de animais reprodutores de maior valor agregado seja monitorada. Hipoteticamente, é possível saber quando um animal for picado por uma cobra, o que eleva repentinamente sua temperatura corporal e uma decisão rápida pode salvar sua vida, exemplificou Fabiana.

A tecnologia poderá contribuir para elevar a produtividade de uma fazenda porque, sabendo que o animal está em quadro de estresse térmico, é possível ao pecuarista tomar decisões que alterem sua estrutura e revertam a situação, evitando perda de peso e até problemas mais complexos, como interferência na taxa de prenhez. “Apesar de o animal ter mecanismos e ele consegue manter a temperatura ou abaixar, estes mecanismos são limitados. Por isso a gente fala da importância das modificações no ambiente, como inserção de sombras, árvores, para o animal expressar todo o seu potencial genético”, justificou.

Os dados coletados são enviados automaticamente para uma planilha para que o produtor possa tomar decisões baseado nos números. A remessa das informações pode ser programada para ser feita com frequência maior ou menor, a cada dez minutos, a cada hora ou uma vez por dia, por exemplo, para o pecuarista acessar a plataforma eletrônica por um notebook, tablet ou celular.

O BEP pode ser utilizado também para gado de leite e equinos. Agora a Embrapa busca parceiros para produzir a tecnologia e disponibilizá-a ao mercado em um formato de cooperação público-privada.

Veja pelo vídeo abaixo a entrevista completa com a pesquisadora Fabiana Villa Alves:

Foto: Reprodução / Embrapa

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