Agrônomo dá aula para pecuarista se livrar das plantas daninhas no pasto

05 dezembro 2019
como-controlar-plantas-daninhas-corretamente-pastagem-pecuaria

Não é nenhuma gramínea nativa e nem um arbusto espinhoso. “Você sabe qual é a maior praga, a maior planta daninha do mundo? É um pecuarista desmotivado!”, comparou o engenheiro agrônomo, pós-graduado em pastagens pela Esalq-USP e consultor do Circuito da Pecuária Wagner Pires em mais um episódio do quadro Pastagem de A a Z. “Eu tenho certeza que você não é esse cara porque você está levantando cedo para nos acompanhar aqui no Giro do Boi e eu estou muito contente. É sobre isso que nós vamos conversar com vocês no dia de hoje: como eliminar corretamente as plantas daninhas?”, adiantou o especialista.

Pires reforçou que o produtor precisa, de fato, cuidar das infestações porque as plantas daninhas, por serem nativas, são muito mais adaptadas às condições do ambiente do que o pasto, por isso a concorrência chega a ser de certo modo desleal muitas vezes. “Sem falar que se você tiver plantas daninhas que tenham espinho, o gado quando vai comer, não se aproxima dessas plantas. O que vai acontecer, vai ficar uma coroa de capim perdida no entorno desta planta daninha, um capim perdido aqui, outro lá, acolá e você está perdendo dinheiro e taxa de lotação”, advertiu o agrônomo.

O sistema radicular também é outro que compete com a pastagem. “A raiz das plantas daninhas é extremamente agressiva. Tem plantas daninhas com raiz mais grossa que uma mandioca”, avisou Pires. E é por esta razão que quando chega a época da seca as ervas daninhas estão verdes, viçosas, enquanto o pasto está seco. “Então vamos eliminar a planta daninha?”, incentivou o consultor.

Pires alertou que as roçadas utilizadas por muitos produtores podem agravar a situação. Um dos problemas é que a mesma roçadeira que corta a planta daninha corta também a forrageira. Ainda neste processo, o excesso de matéria orgânica deixado na superfície, segundo o agrônomo, pode acabar sugando o nitrogênio do solo para a decomposição do material, enfraquecendo-o. Além disto, rapidamente a planta daninha volta a brotar. Conforme o produtor for fazendo as roçadas com frequência, isto também “engrossa” a planta por debaixo da terra, o que a torna mais forte, comentou o consultor. “E aí vai ficando cada vez mais difícil e mais caro de fazer o controle”, avisou.

Mas qual a melhor forma de controlar as plantas daninhas. Segundo Wagner, são os herbicidas, pois eles são seletivos e matam as plantas indesejáveis sem matar o capim. “Ele é sistêmico. O que isto quer dizer? Que entra lá na folhinha, na ponta do cabelo, e vai matar ate na ponta do pé. Mata a planta toda”, detalhou. O especialista explicou que quanto mais demorado para a planta daninha morrer, melhor é pois indica que o processo está sendo feito da forma adequada. Wagner disse para o pecuarista ficar alerta para produtos que prometem a morte imediata das plantas daninhas, pois nesses casos em que as ervas secam e suas folhas caem rapidamente, é sinal de que logo haverá rebrota. “Mas Wagner, herbicida é caro. Sabe o que é caro? É fazer serviço outra vez, todo ano roçando teu pasto, isto é caro. Caro é você aplicar o produto errado na planta errada”, esclareceu o consultor.

Pires listou os tipos de herbicidas para controlar espécies distintas planta daninha, divididos em foliares e basais, cuja forma de aplicação se difere. O período ideal de aplicação para os foliares, segundo o agrônomo, é a época das chuvas, pois ele exige que a planta esteja translocando seiva e em pleno desenvolvimento para metabolizar o defensivo mais rapidamente.

Pires recomendou que o produtor aplique o herbicida por etapas na propriedade e que não faça na fazenda toda de uma vez. Depois da primeira aplicação, Pires indicou que o produtor pode controlar por meio da observação e catação de plantas que tenham sobrevivido ao herbicida por uma ou duas safras, por exemplo.

“Mas você deve continuar fazendo manejo de pasto, fazer adubação […] porque aí sim vai dar força para uma boa pastagem”, complementou.

Caso o produtor não tenha o equipamento ideal para aplicar os herbicidas, Pires afirmou que de modo geral os implementos são emprestados pelos distribuidores, que fazem até a regulagem para o melhor resultado. “O que você não pode é deixar a fazenda por conta das plantas daninhas, é fundamental que você elimine elas”, concluiu.

Veja a aula completa de Wagner Pires pelo vídeo abaixo:

 

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Pires reforçou que o produtor precisa, de fato, cuidar das infestações porque as plantas daninhas, por serem nativas, são muito mais adaptadas às condições do ambiente do que o pasto, por isso a concorrência chega a ser de certo modo desleal muitas vezes. “Sem falar que se você tiver plantas daninhas que tenham espinho, o gado quando vai comer, não se aproxima dessas plantas. O que vai acontecer, vai ficar uma coroa de capim perdida no entorno desta planta daninha, um capim perdido aqui, outro lá, acolá e você está perdendo dinheiro e taxa de lotação”, advertiu o agrônomo.

O sistema radicular também é outro que compete com a pastagem. “A raiz das plantas daninhas é extremamente agressiva. Tem plantas daninhas com raiz mais grossa que uma mandioca”, avisou Pires. E é por esta razão que quando chega a época da seca as ervas daninhas estão verdes, viçosas, enquanto o pasto está seco. “Então vamos eliminar a planta daninha?”, incentivou o consultor.

Pires alertou que as roçadas utilizadas por muitos produtores podem agravar a situação. Um dos problemas é que a mesma roçadeira que corta a planta daninha corta também a forrageira. Ainda neste processo, o excesso de matéria orgânica deixado na superfície, segundo o agrônomo, pode acabar sugando o nitrogênio do solo para a decomposição do material, enfraquecendo-o. Além disto, rapidamente a planta daninha volta a brotar. Conforme o produtor for fazendo as roçadas com frequência, isto também “engrossa” a planta por debaixo da terra, o que a torna mais forte, comentou o consultor. “E aí vai ficando cada vez mais difícil e mais caro de fazer o controle”, avisou.

Mas qual a melhor forma de controlar as plantas daninhas. Segundo Wagner, são os herbicidas, pois eles são seletivos e matam as plantas indesejáveis sem matar o capim. “Ele é sistêmico. O que isto quer dizer? Que entra lá na folhinha, na ponta do cabelo, e vai matar ate na ponta do pé. Mata a planta toda”, detalhou. O especialista explicou que quanto mais demorado para a planta daninha morrer, melhor é pois indica que o processo está sendo feito da forma adequada. Wagner disse para o pecuarista ficar alerta para produtos que prometem a morte imediata das plantas daninhas, pois nesses casos em que as ervas secam e suas folhas caem rapidamente, é sinal de que logo haverá rebrota. “Mas Wagner, herbicida é caro. Sabe o que é caro? É fazer serviço outra vez, todo ano roçando teu pasto, isto é caro. Caro é você aplicar o produto errado na planta errada”, esclareceu o consultor.

Pires listou os tipos de herbicidas para controlar espécies distintas planta daninha, divididos em foliares e basais, cuja forma de aplicação se difere. O período ideal de aplicação para os foliares, segundo o agrônomo, é a época das chuvas, pois ele exige que a planta esteja translocando seiva e em pleno desenvolvimento para metabolizar o defensivo mais rapidamente.

Pires recomendou que o produtor aplique o herbicida por etapas na propriedade e que não faça na fazenda toda de uma vez. Depois da primeira aplicação, Pires indicou que o produtor pode controlar por meio da observação e catação de plantas que tenham sobrevivido ao herbicida por uma ou duas safras, por exemplo.

“Mas você deve continuar fazendo manejo de pasto, fazer adubação […] porque aí sim vai dar força para uma boa pastagem”, complementou.

Caso o produtor não tenha o equipamento ideal para aplicar os herbicidas, Pires afirmou que de modo geral os implementos são emprestados pelos distribuidores, que fazem até a regulagem para o melhor resultado. “O que você não pode é deixar a fazenda por conta das plantas daninhas, é fundamental que você elimine elas”, concluiu.

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