Aprenda o modo correto de fazer rodízio e dar banho nos cavalos

23 janeiro 2018
cavalos-descanso-banho

Os peões campeiros sabem melhor do que ninguém: o cavalo é um animal muito rústico e não se entrega facilmente. Por isso, podem trabalhar até a exaustão e não demonstrar fraquezas e dores que estão sentindo. Mas é preciso reconhecer sinais para colocar os animais para descansar e, antes de soltar no pasto, dar um bom banho para sua recuperação completa.

Nesta terça, 22, o Giro do Boi exibiu entrevista com o médico veterinário Mário Duarte, especialista em equinos, para repassar aos pecuaristas e peões que usam os cavalos para a lida na fazenda dicas sobre como deve ser o período de descanso e quais as principais recomendações de um bom banho para estes animais que são uma das principais ferramentas da pecuária de corte.

“De maneira geral, o que recomendamos é o rodízio de cavalos. O ideal é que o cavalo que trabalha bastante, e isso significa trabalhar o dia todo, tenha uma semana de descanso. Pra isso, o amigo tem que entender que precisa ter uma equipe de cavalos. Pelo menos seis por peão. Se não conseguir, que tenha pelo menos quatro”, recomendou o veterinário.

Segundo Duarte, lesões e machucados fazem com que os animais percam condição física, até emagreçm, e podem sobrecarregar outros cavalos da tropa, daí a importância de se ter vários animais disponíveis.

Caso o revezamento não seja respeitado, além das lesões e do emagrecimento, outros males podem surgir, como doenças do trato respiratório mais simples, como gripes e garrotilhos, até doenças mais graves, como pneumonias e abscessos. “São doenças severas que podem comprometer a saúde dos animais”, advertiu.

O veterinário disse em entrevista ao repórter José Neto que o peão pode perceber os primeiros sinais de exaustão quando ocorre a diminuição da disponibilidade do cavalo para o trabalho. “Quando ele precisa usar o reio ou a espora pra fazer uma coisa que o cavalo faria sem problema”, exemplificou.

O consultor disse ainda que a sudorese não deve ser interpretada como sinal de cansaço porque naturalmente o cavalo sua muito. “Pelo contrário, é sinal de que a temperatura corpórea do cavalo aumentou e ele precisa se resfriar. Mas quando você vê cavalo com dificuldade de colocar a orelha pra frente, quando a mucosa muda de coloração, já tem uma tendência a desidratar, fica como o pêlo eriçado, a formar dobras na pele… São sinais que ele está chegando próximo da exaustão”, alertou.

Além das doenças que podem acometer indivíduos da tropa de modo pontual, com o passar o tempo lesões crônicas podem aparecer. “Articulações, tendões e ligamentos, quando são usados além do que suportam, inflamam num primeiro passo. Isso causa muita dor e cavalo vai mancar. Se o descanso não é o que o cavalo precisa pra cicatrização dos tendões, a tendência é que isso se torne crônico, ou seja, as lesões ficam antigas e as articulações velhas. Aí vem as artroses, que são lesões degenerativas das articulações extremamente doloridas”, explicou.

“Às vezes alguns cavalos param de mancar quando se aquecem e o campeiro vai achar que é passageira a manqueira, mas a tendência desses problemas é aumentar com o tempo”, ressaltou.

“Por isso a gente recomenda fazer um programa pra cuidar muito bem do cavalo, alimentar muito bem, ter um protocolo sanitário muito bom, mineralizá-lo, botar num pasto adequado e adequar tempo de trabalho do cavalo ao indivíduo. Cada cavalo suporta uma carga, mas se for trabalho pesado, de mangueira, que seja meio período. Se for trabalho leve, pode ser o dia todo, mas o ideal é que o campeiro interprete seu animal, veja que está em sofrimento além do ponto que o animal suporta. Como são profundos conhecedores dos animais, ninguém melhor do que o próprio peão pra saber o momento de parar, de botar o animal pra descansar”, assegurou Duarte.

RECOMENDAÇÕES PARA O BANHO
Mário Duarte listou ainda durante entrevista uma série de recomendações para o banho dos animais no pós-lida. “As recomendações são as mesmas que as nossas quando jogamos uma bola. É fundamental e faz parte do bom trato do cavalo”, brincou. Veja abaixo:

Começar pelas pernas para dar tempo da temperatura do corpo abaixar e evitar um choque térmico desconfortável;

– Prestar atenção para a limpeza da areia que fica entre as pernas, na barriga e em demais dobras de pele para evitar as chamadas assaduras;

– Limpar muito bem a sola para manter os cascos saudáveis;

– Prestar atenção na temperatura da água (banhos gelados podem ser confortáveis, mas não devem se estender por muito tempo);

O modo correto de lavar a cara do cavalo é jogar a água da mangueira para cima e deixá-la cair. Assim, o cavalo consegue proteger sua orelhas da infiltração de água;

– Se estiver com dificuldade para lavar a cara, passar ao menos um pano úmido e tirar o excesso de saliva que se formou por conta do uso do freio;

– Lembrar de deixar uma tina com água no lavador para que não demore tanto tempo pra ele beber água entre tirar a tralha, banhar e liberar no pasto. “O cavalo perdeu muita água no trabalho e o ideal é que ele já tome água e vá repondo o que perdeu durante o dia”, frisou;

– Antes de soltar o cavalo, tirar o excesso de água do corpo com uma raspadeira ou mesmo com a mão;

– Lembrar de nunca cortar os pêlos no boleto do cavalo, “que a gente erroneamente chama de machinho do cavalo”, esclareceu Mário Duarte. “Porque ali vai pingar água e esta água não vai pra quartela e não dá freira na quartela. Às vezes, por excesso de cuidado, a gente quer quer manter higiene e corta os pêlos, mas eles são fundamentais para prevenir a micose que tem na quartela”, concluiu o veterinário.

Veja a entrevista na íntegra pelo vídeo abaixo:

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“De maneira geral, o que recomendamos é o rodízio de cavalos. O ideal é que o cavalo que trabalha bastante, e isso significa trabalhar o dia todo, tenha uma semana de descanso. Pra isso, o amigo tem que entender que precisa ter uma equipe de cavalos. Pelo menos seis por peão. Se não conseguir, que tenha pelo menos quatro”, recomendou o veterinário.

Segundo Duarte, lesões e machucados fazem com que os animais percam condição física, até emagreçm, e podem sobrecarregar outros cavalos da tropa, daí a importância de se ter vários animais disponíveis.

Caso o revezamento não seja respeitado, além das lesões e do emagrecimento, outros males podem surgir, como doenças do trato respiratório mais simples, como gripes e garrotilhos, até doenças mais graves, como pneumonias e abscessos. “São doenças severas que podem comprometer a saúde dos animais”, advertiu.

O veterinário disse em entrevista ao repórter José Neto que o peão pode perceber os primeiros sinais de exaustão quando ocorre a diminuição da disponibilidade do cavalo para o trabalho. “Quando ele precisa usar o reio ou a espora pra fazer uma coisa que o cavalo faria sem problema”, exemplificou.

O consultor disse ainda que a sudorese não deve ser interpretada como sinal de cansaço porque naturalmente o cavalo sua muito. “Pelo contrário, é sinal de que a temperatura corpórea do cavalo aumentou e ele precisa se resfriar. Mas quando você vê cavalo com dificuldade de colocar a orelha pra frente, quando a mucosa muda de coloração, já tem uma tendência a desidratar, fica como o pêlo eriçado, a formar dobras na pele… São sinais que ele está chegando próximo da exaustão”, alertou.

Além das doenças que podem acometer indivíduos da tropa de modo pontual, com o passar o tempo lesões crônicas podem aparecer. “Articulações, tendões e ligamentos, quando são usados além do que suportam, inflamam num primeiro passo. Isso causa muita dor e cavalo vai mancar. Se o descanso não é o que o cavalo precisa pra cicatrização dos tendões, a tendência é que isso se torne crônico, ou seja, as lesões ficam antigas e as articulações velhas. Aí vem as artroses, que são lesões degenerativas das articulações extremamente doloridas”, explicou.

“Às vezes alguns cavalos param de mancar quando se aquecem e o campeiro vai achar que é passageira a manqueira, mas a tendência desses problemas é aumentar com o tempo”, ressaltou.

“Por isso a gente recomenda fazer um programa pra cuidar muito bem do cavalo, alimentar muito bem, ter um protocolo sanitário muito bom, mineralizá-lo, botar num pasto adequado e adequar tempo de trabalho do cavalo ao indivíduo. Cada cavalo suporta uma carga, mas se for trabalho pesado, de mangueira, que seja meio período. Se for trabalho leve, pode ser o dia todo, mas o ideal é que o campeiro interprete seu animal, veja que está em sofrimento além do ponto que o animal suporta. Como são profundos conhecedores dos animais, ninguém melhor do que o próprio peão pra saber o momento de parar, de botar o animal pra descansar”, assegurou Duarte.

RECOMENDAÇÕES PARA O BANHO
Mário Duarte listou ainda durante entrevista uma série de recomendações para o banho dos animais no pós-lida. “As recomendações são as mesmas que as nossas quando jogamos uma bola. É fundamental e faz parte do bom trato do cavalo”, brincou. Veja abaixo:

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– Prestar atenção na temperatura da água (banhos gelados podem ser confortáveis, mas não devem se estender por muito tempo);

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– Lembrar de deixar uma tina com água no lavador para que não demore tanto tempo pra ele beber água entre tirar a tralha, banhar e liberar no pasto. “O cavalo perdeu muita água no trabalho e o ideal é que ele já tome água e vá repondo o que perdeu durante o dia”, frisou;

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Veja a entrevista na íntegra pelo vídeo abaixo:

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