O que de fato pode assustar os bovinos durante o manejo?

15 novembro 2019
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Nesta sexta, 15, o Giro do Boi exibiu entrevista exclusiva com uma das mais relevantes pesquisadoras da área de bem-estar animal em todo o mundo, a psicóloga, mestre e doutora em ciência animal Temple Grandin, professora da Colorado State University.

Na conversa gravada na sede da MSD Saúde Animal, em São Paulo-SP, onde fez palestra sobre sua área de pesquisa e falou sobre sua condição como autista, Grandin revelou qual será a próxima grande tendência para o bem-estar animal, respondeu pergunta sobre a importância da dedicação de grandes empresas do setor alimentício ao tema e surpreendeu ao informar do que os animais realmente sentem medo.

Leia a conversa com Temple Grandin na íntegra abaixo e, na sequência, o vídeo completo:

Giro do Boi: Você esteve no ano passado no Brasil, não é um grande período de tempo. O que está buscando ver aqui desta vez?

Temple Grandin: Eu vou visitar algumas plantas frigoríficas de carne bovina e confinamentos e eu vou participar de alguns debates sobre manejo de gado e autismo. Eu realmente espero visitar muitos lugares.

GdB: Quais são as vantagens competitivas que o Brasil tem em relação a bem-estar animal?

TG: Muitos países ficaram bem melhores no manejo com os animais. Anos atrás eu trabalhei com o McDonald’s Corporation em compartilhamento de práticas de bem-estar animal e avaliações e existem coisas simples que você pode medir. Nos abatedouros, o atordoamento ao primeiro tiro, a vocalização do gado. Já na fazenda, você pode medir coisas como manqueira, machucados no rebanho. Estas são as coisas que eu posso medir. São o que eu chamo de medidas de resultado.

GdB: Você falou sobre a sua parceria com o McDonald’s e eu gostaria de saber a importância do investimento de companhias como esta, assim como de supermercados, indústria de carne, indústrias de sanidade animal para divulgar o seu trabalho, torná-lo mais popular.

TG: Uma das coisas mais importantes é que as pessoas têm que gerenciar o manejo. Quando eu era jovem eu costumava achar que eu poderia construir uma instalação mágica de manejo de gado autogerenciável. Bom, você não pode. Boas instalações fazem o bom manejo mais fácil. Mas você também deve ter funcionários treinados. Também o gerente responsável deve supervisionar sua equipe. E uma das coisas mais importantes é que você tem que levar a gestão do manejo de gado e do bem-estar animal a sério. Eu sou uma grande proponente da mensuração do manejo para descobrir se eu estou ficando melhor ou pior, se o placar de quantas vezes eu usei o bastão elétrico está aumentando ou diminuindo. Se o gado está vocalizando mais, então meu manejo está ficando pior, mas se este contador está diminuindo em números, então meu manejo está ficando melhor. É como o tráfego. Se a polícia não estiver lá medindo a velocidade você tem uma pista de corrida. Você só gerencia aquilo que mensura.

GdB: Por tudo que você já observou em todo o mundo, você poderia dizer qual será a próxima grande tendência em bem-estar animal?

TG: Nós vamos ter que perceber que só sanidade não é o suficiente. Você tem que ter animais saudáveis. Saúde é essencial, mas você também tem que se preocupar com as necessidades comportamentais dos animais. Isto é uma questão principalmente para os suínos e as galinhas poedeiras. E uma das grandes tendências para o futuro do bem-estar animal são as emoções positivas. Os animais estão tendo uma vida feliz, basicamente? O bem-estar está dividido em quatro níveis. O primeiro é prevenir o sofrimento. Você tem que assegurar que as pessoas não estão abusando dos animais, como quebrando a cauda dos bovinos, por exemplo. Então você tem algumas coisas que nós vamos medir, como manqueira, sujeira, dores nas articulações, condição corporal dos animais. São coisas que nós podemos medir. E aí você entra nas necessidades comportamentais. Para o gado criado a pasto, suas necessidades estão satisfeitas, mas porcos e galinhas poedeiras criadas em galpões, eles têm algumas necessidades. As galinhas gostam de ninhos, por exemplo. E o quarto nível, que está ganhando cada vez mais atenção, é se o animal está mesmo tendo emoções positivas. Basicamente: eles estão felizes? E existe ciência por trás disto. Eu escrevi um livro intitulado “Melhorando o bem-estar animal: uma abordagem prática”, que discute estas questões.

GdB: Para concluir, você disse em sua palestra que existem alguns objetos pequenos, mas que assustam os animais nas fazendas. Você pode citar exemplos para nós?

TG: As pessoas me perguntam se os animais têm medo do abate. Bem, eles têm mais medo de toalhas de papel penduradas no tronco, de correntes penduradas, do reflexo dos pingos de água que caem ou talvez de um caminhão estacionado perto do curral na fazenda e talvez haja um reflexo no veículo. Animais notam as pequenas coisas que as pessoas não notam. Se você mover este caminhão ou se livrar daquela jaqueta que está pendurada na cerca, então os animais vão passar pelo brete muito mais facilmente.

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Na conversa gravada na sede da MSD Saúde Animal, em São Paulo-SP, onde fez palestra sobre sua área de pesquisa e falou sobre sua condição como autista, Grandin revelou qual será a próxima grande tendência para o bem-estar animal, respondeu pergunta sobre a importância da dedicação de grandes empresas do setor alimentício ao tema e surpreendeu ao informar do que os animais realmente sentem medo.

Leia a conversa com Temple Grandin na íntegra abaixo e, na sequência, o vídeo completo:

Giro do Boi: Você esteve no ano passado no Brasil, não é um grande período de tempo. O que está buscando ver aqui desta vez?

Temple Grandin: Eu vou visitar algumas plantas frigoríficas de carne bovina e confinamentos e eu vou participar de alguns debates sobre manejo de gado e autismo. Eu realmente espero visitar muitos lugares.

GdB: Quais são as vantagens competitivas que o Brasil tem em relação a bem-estar animal?

TG: Muitos países ficaram bem melhores no manejo com os animais. Anos atrás eu trabalhei com o McDonald’s Corporation em compartilhamento de práticas de bem-estar animal e avaliações e existem coisas simples que você pode medir. Nos abatedouros, o atordoamento ao primeiro tiro, a vocalização do gado. Já na fazenda, você pode medir coisas como manqueira, machucados no rebanho. Estas são as coisas que eu posso medir. São o que eu chamo de medidas de resultado.

GdB: Você falou sobre a sua parceria com o McDonald’s e eu gostaria de saber a importância do investimento de companhias como esta, assim como de supermercados, indústria de carne, indústrias de sanidade animal para divulgar o seu trabalho, torná-lo mais popular.

TG: Uma das coisas mais importantes é que as pessoas têm que gerenciar o manejo. Quando eu era jovem eu costumava achar que eu poderia construir uma instalação mágica de manejo de gado autogerenciável. Bom, você não pode. Boas instalações fazem o bom manejo mais fácil. Mas você também deve ter funcionários treinados. Também o gerente responsável deve supervisionar sua equipe. E uma das coisas mais importantes é que você tem que levar a gestão do manejo de gado e do bem-estar animal a sério. Eu sou uma grande proponente da mensuração do manejo para descobrir se eu estou ficando melhor ou pior, se o placar de quantas vezes eu usei o bastão elétrico está aumentando ou diminuindo. Se o gado está vocalizando mais, então meu manejo está ficando pior, mas se este contador está diminuindo em números, então meu manejo está ficando melhor. É como o tráfego. Se a polícia não estiver lá medindo a velocidade você tem uma pista de corrida. Você só gerencia aquilo que mensura.

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TG: As pessoas me perguntam se os animais têm medo do abate. Bem, eles têm mais medo de toalhas de papel penduradas no tronco, de correntes penduradas, do reflexo dos pingos de água que caem ou talvez de um caminhão estacionado perto do curral na fazenda e talvez haja um reflexo no veículo. Animais notam as pequenas coisas que as pessoas não notam. Se você mover este caminhão ou se livrar daquela jaqueta que está pendurada na cerca, então os animais vão passar pelo brete muito mais facilmente.

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