Capim pode ser a diferença entre quebrar e colher bem

17 janeiro 2020
capim-diferenca-colher-e-quebrar-cobertura-solo-palhada

Em uma das regiões mais difíceis do Mato Grosso do Sul, possivelmente uma das mais complicadas do Brasil para a prática da agricultura, o produtor rural encontrou um caminho para a alta produtividade e está colhendo até quatro safras por ano. No município de Maracaju, o trabalho para usar o potencial da natureza da melhor forma possível começou na década de 1960, com os produtores que se instalavam na região buscando superar desafios como a quantidade de alumínio no solo, que demandam altas doses de correção, e ainda os veranicos que prejudicam as lavouras.

Quem relembrou esta história ao Giro do Boi da sexta, 17, foi o biólogo, mestre em biologia vegetal e doutor em agronomia, Alex Melotto, diretor executivo da Fundação MS, empresa privada sem fins lucrativos que atua na pesquisa e difusão de tecnologias agropecuárias no estado. “Desde a década de 60 o produtor já brigava com isso, e buscou por si só, inicialmente, um modelo de trabalho que pudesse ajudar na agricultura. E esse modelo foi a inserção da palha no sistema, que se deu por meio da integração lavoura-pecuária, que foi inicialmente pesquisada pelos próprios produtores e depois a Embrapa já estava instalada em Mato Grosso do Sul e outras instituições de pesquisa ajudaram. E aí só na década de 90 que a Fundação MS foi criada com o intuito de aperfeiçoar a técnica. O título de capital nacional (da integração) se deu porque a integração começou aqui em Maracaju, obviamente pelo maior de todos os pesquisadores, que é o produtor rural”, detalhou Melotto.

O doutor em agronomia reforçou que a descoberta e o avanço das pesquisas foram determinantes para o sucesso das colheitas ano após ano. “O que a gente tem visto nos últimos dez anos, e o Showtec 2020 vem para provar isso, é que a integração não sai de moda. Ela ajuda todo mundo. É óbvio que depende da possibilidade de cada um, afinal você depende dos animais, de ter ou não ter, de ter cerca, de ter água, mas seja como for, a contribuição dos capins para o sistema de produção agrícola é infinitamente comprovado, e é muito grande. É a diferença entre quebrar e colher bem”, sustentou o executivo da Fundação MS.

Agropecuária intensiva é tão sustentável quanto floresta nativa, aponta pesquisa

De fato, o Mato Grosso do Sul se consolida como o estado com a maior área de adoção de sistemas integrados e enquanto o país conta com cerca de 11,5 milhões de hectares inseridos nestes sistemas, o MS tem cerca de 2,7 milhões de hectares.

Em sua participação, Melotto indicou como o produtor que ainda não adota alguma forma de sistema integração pode iniciar o processo de transição. “O primeiro passo é entender o sistema, saber onde você está e onde você quer chegar. Eu vejo muitos produtores acomodados com a baixa produtividade e o primeiro passo é ele se incomodar com isso. Ele não pode ser acomodado, tem que ser incomodado, e aí aceitar a integração como uma alternativa e avaliar as possibilidades de fato. Porque a gente percebe que tem regiões, e o Mato Grosso do Sul tem crescido muito no sistema de produção agrícola por conta da integração, que vem sendo adotada especialmente na impossibilidade do milho safrinha. O produtor rural planta a soja e no inverno, ao invés de fazer o milho por conta do alto risco, ele faz capim e usa para os animais, então é um sistema sistema extremamente produtivo”, indicou o biólogo.

Segundo Melotto, a integração está viabilizando aos produtores até quatro safras por ano. “A integração faz além da segunda, uma terceira e talvez até uma quarta safra. Você tem o o sistema agrícola como primeira safra, a forragem como segunda safra, as raízes como uma terceira safra, que poucas pessoas consideram, e o que a gente tem estudado bastante nos últimos três anos é a quarta safra, que é a safra de carbono, que se transforma em matéria orgânica – e quem vai colher isso é a soja no próximo ano”, esclareceu.

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Os trabalhos de pesquisas da Fundação MS e de empresas do setor estarão reunidos na própria sede da instituição em Maracaju-MS nos próximos dias 22 a 24 de janeiro, no Showtec 2020, evento realizado anualmente que apresenta novas tecnologias e tendências aos produtores rurais da região. Além das dinâmicas de apresentação das novidades, a programação técnica de palestras contará com paineis como “Encontro de jovens”, “Encontro de mulheres do agronegócio”, “Criando super raízes”, “Safrinha de alto desempenho”, “Sugadores em soja/milho: Pare de perder pra eles!” e “Preparando fazendas para o Agro do futuro”. A programação completa está disponibilizada pelo site oficial do evento, o portalshowtec.com.br.

Veja a entrevista completa com Alex Marcel Melotto pelo vídeo abaixo:

 

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Quem relembrou esta história ao Giro do Boi da sexta, 17, foi o biólogo, mestre em biologia vegetal e doutor em agronomia, Alex Melotto, diretor executivo da Fundação MS, empresa privada sem fins lucrativos que atua na pesquisa e difusão de tecnologias agropecuárias no estado. “Desde a década de 60 o produtor já brigava com isso, e buscou por si só, inicialmente, um modelo de trabalho que pudesse ajudar na agricultura. E esse modelo foi a inserção da palha no sistema, que se deu por meio da integração lavoura-pecuária, que foi inicialmente pesquisada pelos próprios produtores e depois a Embrapa já estava instalada em Mato Grosso do Sul e outras instituições de pesquisa ajudaram. E aí só na década de 90 que a Fundação MS foi criada com o intuito de aperfeiçoar a técnica. O título de capital nacional (da integração) se deu porque a integração começou aqui em Maracaju, obviamente pelo maior de todos os pesquisadores, que é o produtor rural”, detalhou Melotto.

O doutor em agronomia reforçou que a descoberta e o avanço das pesquisas foram determinantes para o sucesso das colheitas ano após ano. “O que a gente tem visto nos últimos dez anos, e o Showtec 2020 vem para provar isso, é que a integração não sai de moda. Ela ajuda todo mundo. É óbvio que depende da possibilidade de cada um, afinal você depende dos animais, de ter ou não ter, de ter cerca, de ter água, mas seja como for, a contribuição dos capins para o sistema de produção agrícola é infinitamente comprovado, e é muito grande. É a diferença entre quebrar e colher bem”, sustentou o executivo da Fundação MS.

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Em sua participação, Melotto indicou como o produtor que ainda não adota alguma forma de sistema integração pode iniciar o processo de transição. “O primeiro passo é entender o sistema, saber onde você está e onde você quer chegar. Eu vejo muitos produtores acomodados com a baixa produtividade e o primeiro passo é ele se incomodar com isso. Ele não pode ser acomodado, tem que ser incomodado, e aí aceitar a integração como uma alternativa e avaliar as possibilidades de fato. Porque a gente percebe que tem regiões, e o Mato Grosso do Sul tem crescido muito no sistema de produção agrícola por conta da integração, que vem sendo adotada especialmente na impossibilidade do milho safrinha. O produtor rural planta a soja e no inverno, ao invés de fazer o milho por conta do alto risco, ele faz capim e usa para os animais, então é um sistema sistema extremamente produtivo”, indicou o biólogo.

Segundo Melotto, a integração está viabilizando aos produtores até quatro safras por ano. “A integração faz além da segunda, uma terceira e talvez até uma quarta safra. Você tem o o sistema agrícola como primeira safra, a forragem como segunda safra, as raízes como uma terceira safra, que poucas pessoas consideram, e o que a gente tem estudado bastante nos últimos três anos é a quarta safra, que é a safra de carbono, que se transforma em matéria orgânica – e quem vai colher isso é a soja no próximo ano”, esclareceu.

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