Pastagens para gado de corte: 5 dicas para aumentar a produtividade

23 outubro 2017
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Nesta segunda-feira, 23, o Giro do Boi exibiu entrevista com o engenheiro agrônomo, pós-graduado em pastagens pela Esalq-USP e consultor do Circuito da Pecuária, Wagner Pires. Em destaque na conversa com o repórter Marco Ribeiro esteve o manejo de pastagens nesta época de transição da seca para as águas.

A importância do tema, segundo Pires, se dá por conta do aumento histórico de produção de capim durante as chuvas. Cerca de 70% de todo o potencial produtivo das forrageiras podem ser expressados na safra, enquanto apenas 30% na entressafra. “É na seca que o pecuarista entra em desespero porque diminui a quantidade de água no lençol freático e baixa a umidade solo”, alertou o consultor.

No entanto, com um bom manejo dos pastos no período chuvoso, o produtor pode ficar mais tranquilo.”Como a gramínea extrai a umidade do solo? Pela raiz. Na chuva, a planta pega umidade porque o solo fica todo molhado, mas na seca, não. Então, para a pastagem sobreviver na seca, tem que ter sistema radicular fundo. Como?”, indagou.

OS TRÊS ELEMENTOS

Segundo Pires, são três os elementos que permitem o desenvolvimento adequado do sistema radicular:

Nitrogênio;
Fósforo;
Cálcio.

Destes, o que tem mais dificuldade para penetrar no solo é o cálcio, geralmente fornecido junto ao magnésio no processo de calagem. “O calcário tem dificuldade para entrar no solo, descer às camadas mais profundas. Por isso o gesso entra, porque ele tem capacidade de penetração no solo, vai lá embaixo levando o cálcio, e a raiz vai atrás”, detalhou Pires.

Mas sobre este processo ainda existem paradigmas a serem quebrados. “Dizem que o gesso sequestra os nutrientes da superfície e leva para baixo, mas estes nutrientes são essenciais lá embaixo também. Por isso o pecuarista deve fazer a reposição destes nutrientes na superfície. Se ele fizer, vai ter resultados espetaculares”, recomendou o consultor.

Já o nitrogênio pode ser aplicado nos últimos trinta dias da época das chuvas. Desta forma, a planta armazena e vai usando o elemento ao longo da seca. “Em vez de a pastagem secar de uma vez, ela vai secando lentamente e você tem uma janela de estresse pequena. O pecuarista consegue atravessar o período com maior facilidade”, adiantou Pires.

Outra vantagem de realizar o passo a passo deste manejo é a velocidade da rebrota. Segundo o agrônomo, caso o capim já tenha raízes mais profundas, a planta sai na frente na hora de rebrotar. “Por isso eu digo que pecuarista tem que entender que pasto é lavoura, como milho, soja, café, algodão, cana… Tem que olhar a planta com bons olhos, entender a planta. Às vezes o pecuarista olha a folha, mas não imagina como está o sistema radicular”, avisou.

“De vez em quando, ele tem que abrir um buraco pra ver a raiz. às vezes a raiz está com dez centímetros e vai sofrer na seca. O pecuarista tem que ser um pouquinho mais agricultor”, advertiu o especialista.

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CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS

O agrônomo alertou o pecuarista para a concorrência com as plantas daninhas. Por ter um sistema radicular forte, estas plantas sequestram umidade e nutrientes das forrageiras. “Então quando a gente tem um pasto muito sujo, e no Brasil é o que mais tem, esse pasto vai sofrer muito mais na seca do que sofreria sem plantas daninhas. Por isso é essencial que o pecuarista se atente para controlar, aí ele terá sobrevida maior de sua pastagem na seca”, indicou.

PASTO PULMÃO

Wagner Pires falou também sobre a importância de o pecuarista ter um ‘pasto pulmão‘ em sua  propriedade. O agrônomo diz que este nome é dado porque o piquete permite à fazenda respirar nos momentos mais intensos de veranicos. “O pecuarista deve piquetear a fazenda inteira, mas não pode usar 100% das pastagens, não pode intensificar 100% da fazenda. Às vezes acontece um veranico enquanto ele está rodando o gado no pastejo rotacionado, o pasto não cresceu. E aí, o gado vai pra onde? Tem que ter, obrigatoriamente, uma área de emergência, um escape. Esse pasto pulmão vai permitir à fazenda respirar, o gado vai ficar entre 10 a 15 dias ali até chover e vai dar um refresco para o rotacionado receber a boiada de volta. Depois você dá um descanso e sempre vai ter sobra, uma quantidade de pasto disponível para emergência”, explanou.

CINCO DICAS PARA O BOM MANEJO DE PASTAGENS

Ao fim de sua entrevista ao Giro do Boi, Wagner Pires listou ao repórter Marco Ribeiro cinco pontos principais para garantir uma boa produtividade de arrobas por hectare ao ano por meio das pastagens:

1 – Bom manejo nas águas, fazendo com que as pastagens tenham estrutura radicular e reserva para a seca;
2 – Pensar na aplicação de suporte de nitrogênio antes do término do período das chuvas;
3 – Trabalhar com gramíneas de maior tolerância à seca. “São cultivares como o capim Andropogon e o Paiaguás,  que eu tenho plantado em regiões áridas e deu uma excelente resposta”, exemplificou o agrônomo.
4 – Trabalhar a fertilidade da fazenda como um todo;
5 – Não esquecer o uso do gesso, que vai fazer a pastagem ter um sistema radicular mais profundo.

Veja o vídeo completo da entrevista de Wagner Pires ao Giro do Boi:

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No entanto, com um bom manejo dos pastos no período chuvoso, o produtor pode ficar mais tranquilo.”Como a gramínea extrai a umidade do solo? Pela raiz. Na chuva, a planta pega umidade porque o solo fica todo molhado, mas na seca, não. Então, para a pastagem sobreviver na seca, tem que ter sistema radicular fundo. Como?”, indagou.

OS TRÊS ELEMENTOS

Segundo Pires, são três os elementos que permitem o desenvolvimento adequado do sistema radicular:

Nitrogênio;
Fósforo;
Cálcio.

Destes, o que tem mais dificuldade para penetrar no solo é o cálcio, geralmente fornecido junto ao magnésio no processo de calagem. “O calcário tem dificuldade para entrar no solo, descer às camadas mais profundas. Por isso o gesso entra, porque ele tem capacidade de penetração no solo, vai lá embaixo levando o cálcio, e a raiz vai atrás”, detalhou Pires.

Mas sobre este processo ainda existem paradigmas a serem quebrados. “Dizem que o gesso sequestra os nutrientes da superfície e leva para baixo, mas estes nutrientes são essenciais lá embaixo também. Por isso o pecuarista deve fazer a reposição destes nutrientes na superfície. Se ele fizer, vai ter resultados espetaculares”, recomendou o consultor.

Já o nitrogênio pode ser aplicado nos últimos trinta dias da época das chuvas. Desta forma, a planta armazena e vai usando o elemento ao longo da seca. “Em vez de a pastagem secar de uma vez, ela vai secando lentamente e você tem uma janela de estresse pequena. O pecuarista consegue atravessar o período com maior facilidade”, adiantou Pires.

Outra vantagem de realizar o passo a passo deste manejo é a velocidade da rebrota. Segundo o agrônomo, caso o capim já tenha raízes mais profundas, a planta sai na frente na hora de rebrotar. “Por isso eu digo que pecuarista tem que entender que pasto é lavoura, como milho, soja, café, algodão, cana… Tem que olhar a planta com bons olhos, entender a planta. Às vezes o pecuarista olha a folha, mas não imagina como está o sistema radicular”, avisou.

“De vez em quando, ele tem que abrir um buraco pra ver a raiz. às vezes a raiz está com dez centímetros e vai sofrer na seca. O pecuarista tem que ser um pouquinho mais agricultor”, advertiu o especialista.

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CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS

O agrônomo alertou o pecuarista para a concorrência com as plantas daninhas. Por ter um sistema radicular forte, estas plantas sequestram umidade e nutrientes das forrageiras. “Então quando a gente tem um pasto muito sujo, e no Brasil é o que mais tem, esse pasto vai sofrer muito mais na seca do que sofreria sem plantas daninhas. Por isso é essencial que o pecuarista se atente para controlar, aí ele terá sobrevida maior de sua pastagem na seca”, indicou.

PASTO PULMÃO

Wagner Pires falou também sobre a importância de o pecuarista ter um ‘pasto pulmão‘ em sua  propriedade. O agrônomo diz que este nome é dado porque o piquete permite à fazenda respirar nos momentos mais intensos de veranicos. “O pecuarista deve piquetear a fazenda inteira, mas não pode usar 100% das pastagens, não pode intensificar 100% da fazenda. Às vezes acontece um veranico enquanto ele está rodando o gado no pastejo rotacionado, o pasto não cresceu. E aí, o gado vai pra onde? Tem que ter, obrigatoriamente, uma área de emergência, um escape. Esse pasto pulmão vai permitir à fazenda respirar, o gado vai ficar entre 10 a 15 dias ali até chover e vai dar um refresco para o rotacionado receber a boiada de volta. Depois você dá um descanso e sempre vai ter sobra, uma quantidade de pasto disponível para emergência”, explanou.

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